O desenvolvimento do cloud computing na França

Fernanda Krueger - 18/01/12

Janeiro de 2012 – A explosão das capacidades de transmissão e de armazenagem de dados deu origem ao cloud computing, onde cálculos e dados estão dispersos num universo que não é mais diretamente acessível pelo cliente, que compra atividades de processamento como se compra eletricidade. Três modelos de computação em nuvem estão disponíveis: a infraestrutura informática hospedada externamente (IaaS = Infraestrutura como um Serviço), o ambiente pronto para ser utilizado (PaaS = Plataforma como um  Serviço) e a mutualização das aplicações padronizadas vendidas como serviço (SaaS = Software como um Serviço).

Em 2010, a receita do mercado mundial dos serviços de computação em nuvem totalizou US$ 68,3 bilhões, enquanto na Europa esse mercado subiu 20% e pode representar, em 2015, aproximativamente 15% do mercado europeu de softwares e serviços.  Em 2010, o mercado francês, estimado em €1,85 bilhões, dos quais €672 milhões gerados por empresas de pequeno e médio porte, continua a crescer com força. Em 2011, deveria ultrapassar os €2 bilhões e pode representar, até 2012, 6% do mercado francês dos softwares e serviços (estimativa realizada pela Nexima).

Ao lado de operadores internacionais como, por exemplo, Microsoft, Google, HP, AT&T, IBM, a França reúne inúmeras empresas: ATOS, Cap Gemini, Steria, Orange e SFR. A ATOS acaba de criar a Yunano, uma joint-venture com a empresa chinesa Ufida, para comercializar softwares de gestão e serviços associados baseados em cloud computing.  A editora de softwares francesa, Systancia, situada nas regiões da Alsácia e Ile-de-France, é líder de mercado em desktops e aplicativos virtuais na Europa.

Na França, os novos operadores se beneficiam de um ambiente muito favorável ao seu desenvolvimento.  A legislação francesa oferece uma boa proteção aos dados e processamento de dados; em particular, a regulamentação sobre criptografia (Lei 2004-575 de 21/06/2004 e Decreto 2007-663 de 2/05/2007) que se refere à sensibilidade dos dados confiados aos centros de computação em nuvem. 

Novas empresas incluem a empresa americana Joyent implantada, desde 2010, na Ile-de-France e que fornece infraestrutura como um serviço (IaaS) à LinkedIn, Disney, CNN, Facebook, Yahoo, ou ainda à Vente-privee.com e plataformas PaaS de fonte aberta a editores, empresas de hospedagem ou SSII especializadas, como  Dell e First Service. Essa start-up, pioneira em cloud computing, concorre agora com grupos como Amazon EC2 ou Microsoft Azur. Em 2010, a Dell assinou um acordo OEM (“Original Equipment Manufacturer”) com a Joyent para utilizar suas “Smart Technologies” com o objetivo de propor produtos clouds completos em seus servidores.

A França tem oito pólos de inovação envolvidos em cloud: Cap Digital e System@tic (Ile de France), Elopsys (Limousin), Images et réseaux (Bretanha et Pays de la Loire), Imaginove et Minalogic (Rhône-Alpes), Solutions Communicantes Sécurisées (PACA) e TES (Basse-Normandie).

Em 2011, o governo francês lançou, no âmbito do Programa Nacional de Investimentos, um primeiro convite para apresentação de projetos dedicados a P&D em cloud computing. Cinco projetos receberão um auxílio público (€19 milhões): plataforma de engenharia de software (projeto CloudForce da Orange Labs),   ferramentas de portabilidade de aplicativos (projeto CloudPort da PME Prologue), o projeto de infraestrutura de software de alta performance (projeto Magellan da Bull), o projeto de nuvem comunitária (projet Nu@ge, da PME Non Stop Systems), e o projeto de nuvem para estabelecimentos de ensino superior  (projeto UnivCloud da INEO). A Associação Francesa dos Editores de Softwares (Association Française des Editeurs de Logiciels - AFDEL) criou um website (www.investirdanslenumerique.fr) para simplificar o procedimento dos responsáveis pelos projetos.

De acordo com David Appia, Presidente da Agência Francesa para Investimentos Internacionais, “A França oferece um ambiente muito favorável às empresas de alta tecnologia e inovadoras, em particular no setor de “cloud computing”, onde os principais líderes estão implantados. O Programa Nacional de Investimento do governo francês está impulsionando a dinâmica rede de parceiros criada pelos polos de inovação através do financiamento de projetos envolvendo os criadores de sistemas informáticos, operadores de telecomunicação, editores de softwares ou integradores de tecnologias, laboratórios de pesquisa e PME inovadoras”.

A Agência Francesa para Investimentos Internacionais (AFII) é a agência nacional encarregada da prospecção e recebimento dos investimentos internacionais. A AFII é o órgão de referência em atratividade e imagem econômicas da França. A AFII conta com uma rede internacional e trabalha em parceria estreita com agências regionais de desenvolvimento econômico para oferecer um serviço personalizado aos investidores estrangeiros. Para maiores informações, entre em contato com François Removille, Diretor Geral da AFII no Brasil, francois.removille@investinfrance.org ou acesse o site www.investinfrance.fr/pt.

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